DDD 2026 no TMP
Festival Dias da Dança
Abril
2026
Qui
16
—
Dom
19
Abril
2026
Damos-vos as boas-vindas à 10.ª edição do DDD. Ao longo de dez anos, o DDD tem reunido artistas notáveis e públicos curiosos no Porto, em Matosinhos e em Gaia, numa celebração da dança e da sua capacidade de falar com este momento particular— o momento que vivemos. Através de espetáculos, workshops, conversas e festas, o DDD tem dado a conhecer o espírito pioneiro da dança contemporânea, destacando artistas cujas ideias dialogam com o rumo atual do mundo e cujas práticas despertam a nossa imaginação coletiva. Este ano não é diferente. Entramos nesta edição do festival num período que se sente como sendo de mudança profunda. Para muitas pessoas, independentemente da sua identidade ou perspetiva, o mundo tornou-se irreconhecível. Um sistema de valores outrora considerado sagrado parece hoje fragilizado, senão mesmo enterrado. Ao mesmo tempo, as condições materiais do nosso mundo natural continuam a transformar-se, obrigando a adaptações nas nossas vidas quotidianas e nos nossos planos a longo prazo. Cada vez mais, levam-nos a duvidar daquilo que vemos com os nossos próprios olhos — uma lógica moldada por novas tecnologias que nos ensinaram a desconfiar de muitas das imagens que nos são apresentadas como facto. Estamos numa encruzilhada. E, assim, qual é o papel de um festival de dança em tempos de tanta incerteza? O arquivo da humanidade está repleto de civilizações que recorreram à dança para dar sentido ao mundo que as rodeava: a dança como expressão cultural e como grito de guerra aterrador; para glorificar o indivíduo e para dissolver o ego; como ferramenta de libertação face a forças opressivas e como meio de imposição de sistemas rígidos. Desde sempre, a dança dramatiza o caos cósmico, utilizando o gesto para esculpir formas de entendimento onde a clareza parece ausente. À medida que o mundo converge para esta encruzilhada, poderá a dança servir como motor de imaginação e prospeção de futuros? Muitas das propostas presentes nesta edição do festival assumem precisamente essa função. Algumas olham para aquilo que nos trouxe até aqui, convocando ligações ancestrais ao ambiente e às heranças de traumas vividos e culturais. Outras projetam caminhos possíveis para o que vem a seguir, construindo cenários simultaneamente idílicos e distópicos, tecnofílicos e tecnocéticos. Vários trabalhos afirmam uma ética através da prática, estruturando as suas colaborações em torno da autoria partilhada e da responsabilidade coletiva, sugerindo que o futuro da criação artística poderá residir no esforço comum, mais do que no génio individual. Estas diferentes visões e abordagens convergem para criar um mapa de possibilidades que só é possível no contexto de um festival como o DDD. Cada espetáculo transporta-nos para um lugar distinto — uma localização física, um momento específico no tempo ou um espaço do vasto imaginário. É esta abundância de possibilidades, aliada à rutura com ritmos habituais, que abre novas formas de experienciar o mundo. Embora o destino que emerge destes múltiplos encontros permaneça indefinido, convidamos-vos — equipas do festival, entidades parceiras, artistas e público — a juntarem-se a nós nesta encruzilhada do nosso tempo. Até já, pelo caminho.
— DDD - Festival Dias da Dança
— DDD - Festival Dias da Dança



